Crise do diesel: como amenizar os prejuízos causados por imprevisibilidades

Imagem de destaque

O combustível é um dos custos mais pesados no transporte de cargas, principalmente na crise do diesel. Não bastasse a necessidade do setor de reduzir as despesas e aumentar a produtividade, a possibilidade de escassez do diesel preocupa embarcadores e transportadores.

O agronegócio também está em alerta, já que tem colheitas importantes no segundo semestre do ano e depende do combustível para abastecer colheitadeiras, pulverizadores, caminhonetes e, é claro, as frotas que vão escoar a produção.

O risco de faltar diesel coloca à prova o setor de transportes e o cumprimento dos prazos de entrega. A segurança energética é outro fator de preocupação.

Segundo o Ministério de Minas e Energia, o diesel tem papel de destaque na matriz brasileira de transportes, mas sua dependência do mercado externo chega à casa dos 30%.

Afinal, quais as causas de um possível desabastecimento e como impedir que a falta de diesel comprometa a eficiência logística? Como melhorar a gestão, economizar combustível e garantir entregas perfeitas?

É isso o que veremos neste artigo. Aproveite a leitura!

Preocupação mundial da crise do diesel

O perigo de desabastecimento não ronda apenas o Brasil. A preocupação é mundial e está baseada, principalmente, na redução da oferta e nos baixos estoques em função da conjuntura energética no exterior.

Para a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o Brasil não deve passar imune à escassez global do produto, principalmente se a Petrobras não alinhar seus preços aos do exterior.

Ainda de acordo com o Ministério de Minas em Energia, no final de maio o país tinha estoque de óleo diesel suficiente para suprir a demanda nacional por pouco mais de 35 dias, ou seja, se as importações fossem cessadas, os estoques e a produção nacional seriam insuficientes para o Brasil a curto prazo.

Motivos para a crise do diesel

A possibilidade de escassez do diesel se acentuou desde que as sanções contra a Rússia levaram a uma redução dos estoques mundiais. Assim como o Brasil, outros países temem o desabastecimento.

Os principais fatores são:

  • Sanções contra a Rússia – segundo maior produtor e exportador de petróleo do mundo – em função da invasão à Ucrânia;
  • Escassez de oferta no mercado internacional e baixa no nível dos estoques mundiais;
  • Redução da oferta do commodity e disparada dos preços;
  • Política interna de preços;
  • Pico de demanda no segundo semestre do ano.

Alternativas ao desabastecimento na crise do diesel

Ainda que alguns especialistas considerem que a falta de diesel não será generalizada, podendo ocorrer principalmente em postos de bandeira branca ou em regiões afastadas, a carência pontual do combustível não está descartada caso a Petrobras não aumente seu ritmo de importação.

O Brasil já gastou, em 2022, cerca de US$ 3,5 bilhões para importar diesel e a conta deve aumentar em função do aumento no preço do derivado. Uma das alternativas para conter a crise seria aumentar a produção nacional de biodiesel.

Atualmente, apenas 10% de biocombustível é acrescentado ao diesel de petróleo nas bombas. Com o aumento do teor de mistura para 14%, a estimativa é que o Brasil conseguisse economizar a importação de 2,5 bilhões de litros anuais de diesel de petróleo.

Além disso, as usinas de biodiesel brasileiras têm ociosidade de 50% na capacidade projetada para este ano. O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) estima que a cadeia produtiva do biodiesel produzido a partir da soja tenha gerado PIB de R$ 745 bilhões e mais de 560 mil empregos diretos em 2021.

O Ministério do Meio Ambiente já criou, inclusive, um Comitê Setorial de Monitoramento do Suprimento Nacional de Combustíveis e Biocombustíveis, encarregado de monitorar os estoques durante a guerra no Leste europeu.

O que é o biodiesel?

O biodiesel é um biocombustível produzido a partir de biomassa (matéria orgânica). É considerado um combustível limpo, orgânico e renovável. Pode substituir o óleo diesel usado em ônibus e caminhões.

Para ser utilizado, precisa atender especificações da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O Brasil está entre os maiores produtores de biodiesel do mundo, com potencial para assumir a liderança.

Atualmente, a soja é o único insumo produzido em escala suficiente para a exploração comercial do biodiesel, correspondendo a 80% da produção nacional. Outras espécies como mamona, dendê, girassol e algodão também podem ser exploradas.

Além de ser atrativo economicamente, o biodiesel é eficiente do ponto de vista ambiental, já que reduz em 98% as emissões de dióxido de carbono se comparado ao petróleo.

Também é menos tóxico, pois tem menos partículas de enxofre e não produz odor nem fumaça preta.

O uso do biodiesel seria, sob este ponto de vista, importante para superar a crise internacional gerada pelo aumento do preço do petróleo e para reduzir o efeito estufa causado pela queima de combustíveis não renováveis.

Dicas para reduzir o consumo de combustível

Enquanto o país estuda estratégias para evitar o desabastecimento de combustível e garantir a atividade do setor de transportes, as empresas podem adotar medidas para reduzir o consumo de diesel em suas operações.

Confira:

  • Evitar excesso de peso das cargas, que aumenta o consumo de combustível;
  • Manter pneus calibrados e manutenções preventivas da frota;
  • Investir em tecnologia de roteirização, planejando bem os percursos e otimizando as viagens;
  • Orientar motoristas sobre as formas ideais de condução do caminhão, como velocidade média e trocas corretas de marcha. Dirigir longos percursos a uma velocidade constante de 80 km/h pode reduzir em 10% o consumo de diesel;
  • Escolher postos de abastecimento confiáveis, que ofereçam combustível de qualidade;
  • Investir na seleção dos motoristas, que são um capital humano fundamental para os negócios do setor de transporte;
  • Evitar o uso de ponto morto. Essa é uma prática frequente entre motoristas, mas é uma atitude arriscada. Em ponto morto, o motor entende que o caminhão está em marcha lenta e consome mais diesel.

Aposte em tecnologia na redução do consumo de diesel

Se você busca soluções tecnológicas especializadas para a gestão do transporte, conte com a BRK.

A empresa oferece inteligência para aprimorar operações logísticas. Um exemplo é o sistema integrado de Prevenção de Acidentes.

A solução não apenas capacita os motoristas e reduz os índices de sinistralidade, como auxilia os gestores no controle de velocidade, controle de tempo de condução e gestão de processos.

Quer saber mais? Fale com nossos especialistas.